O que são todas essas ruas engarrafadas, clínicas gerais, praias lotadas, perdições divinas, amigos perdidos que me fazem redecorar tua face milímetro por milímetro? O que menos tende a fazer sentido? Diria então que sou uma pseudopsicótica que precisa urgentemente procurar o que fazer da vida além de dirigir e escrever prosas soltas sobre cidades iluminadas e amores recíprocos. Poderia muito bem me abster de um dia da semana, usá-lo como desculpa para me distrair em alguma balada (manicômio qualquer), mas prefiro trabalhar até às 22hrs, alugar filmes furrecas na locadora da esquina. O atendente usa o seu mesmo perfume, as paredes do local são cheias de pôsteres imensos do Jackie Chan e isso não tem nada a ver contigo. Em algumas tardes eu costumo deitar na rede e cantarolar uma cantiga antiga porque nostalgia da infância faz bem. Não faz sentido, mas você está lá. Nunca foi parte dessa época da minha vida, mas seus olhos são inconfundíveis a ponto de que seria impossível me enganar. Lá no fundo sabemos que você me viu crescer, amanhecer ranzinza, antidiabética e cheia de amor. Eu não seria a mesma hoje se você não tivesse bagunçado tudo antes. O verão tem me decepcionado aos montes, é impossível ficar mais de uma hora fora de casa sem suar como um porco, mas não me importaria se você me abraçasse em meio à praia de Boa Viagem vestindo um suéter. O sinal agora está vermelho e tua língua cálida me lambuza, querendo pedaço por pedaço da minha carência de ti. Cutuque de unhas, estalo da alma. Ainda sou tão sua como há 5 minutos e por mais humilhante que seja ainda há certa grandeza em te amar assim, como se não houvesse medida para tal sentimento. Porque extremamente tudo em absurdo, até mesmo teorias ridículas sobre conspirações políticas me fazem recordar das tuas manias únicas, hipócritas do teu contra gosto. Nada mais me parece exatamente meu, porque em tudo existe uma migalha de ti, do que pensei ter sido a dois. Tua despedida marcada eternamente no corte mal cicatrizado do meu coração. A maldita música sobre casais felizes toca no rádio. Chorar não é mais uma opção. Talvez eu finalmente consiga te esquecer quando minha mente te expulsar da minha vida, mas será que já criaram uma cirurgia para remover duas vidas até então estavam unidas? Desperdício de medicina. Rezarei então pela cura do câncer. Isso me recorda a morte, me resgata o medo de te imaginar doente sem que eu possa cuidá-lo. Nem é tão doloroso não te ter mais por perto, mas eu teria muita pena do mundo se ele sofresse da tua ausência. As pessoas passam por mim, enfurnadas em seus carros do ano ou em cima de motos coloridas. Por mais que possuam ódio no coração, precisam ter conhecer. Sua alma é a fonte de toda a boa energia que corre pelo universo, um filho especial de Deus que desceu na missão única de curar a má fé que de tudo se apossa. Agora entendo porque o vejo em todos os lugares, até nos ponteiros do relógio: ainda não me esvaíram as esperanças de que as coisas melhorem, de que o significado de viver intensamente comece a valer algo para depressivos suicidas. Eu ainda tenho esperanças no amor e em todos os seus exageros. Acreditar talvez seja o que endossa as asneiras do século. O engarrafamento acabou. Os carros seguiram em frente.
Menos eu.
Ana Clara Medeiros - Inspirações de engarrafamento
Todo poeta tem sua própria loucura como confidente.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
l-e-j-o-s:

Rua Carlos Gomes, Prado, Recife - PE (obrigada Aneli Sena!)

l-e-j-o-s:

Rua Carlos Gomes, Prado, Recife - PE (obrigada Aneli Sena!)

Tem horas que a melhor resposta é ficar calado e deixar que a voz do silêncio fale por você. Tem horas que a dor machuca mas faz bem a alma. Tem horas que pra se ganhar é preciso perder. Tem horas que o remédio que cura não faz mais efeito. Tem horas que o sonho adormece para você acordar. Tem horas que é preciso enxergar lá no final do túnel pra você ver que se perdeu e se encontrar…
Voz do Silêncio.  (via oxigenio-dapalavra)
A solidão é a oficina das ideias.
Machado de Assis.  (via oxigenio-dapalavra)
Estou saindo de viagem,
junte todas as flores sobre o altar.
Eu vou viajar em um balão de hélio
flutuar leve sobre o teu corpo adormecido
enterrar os ossos e saborear a carne
despedindo-me em plena sinfonia de Bach
ser feliz depois da chuva fina,
da poesia,
da utopia,
esquecer da hora, do trabalho, da saudade,
do meu vicio em te olhar.
Estou saindo de viagem
não sei se volto ou te mando um postal.
Elisa Bartlett (via oxigenio-dapalavra)
Não pense que te falto
proposital.
Se te falto é porque me falto
e sinto saudades de mim
quem dirá de ti, que amo e quero!
Se te falto é porque a mim me falta o eu
e o riso de mim, que também me falta
os poemas que me faltam
e as palavras
as canções
a saúde
os amores
a mim me falto todos os dias
de modo que nem me lembro mais
de nada por perto
ou longe de nós.
Heitor Henrique in Se eu te falto. (via oxigenio-dapalavra)
travelingcolors:

Canopy Walk, Danum Valley | Malaysia (by Michael Cook)

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Canopy Walk, Danum Valley | Malaysia (by Michael Cook)

ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram 
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa 
porque não quer 
não porque não tem asa 

(Leminski)